segunda-feira, 29 junho , 2026

Santa Catarina completa 24 anos sem registro de foco de febre aftosa

Em 2017, Santa Catarina comemora 10 anos do reconhecimento como zona livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Em 25 de maio de 2007, o Estado se tornou o único do país a conquistar esse status sanitário diferenciado, sendo referência em sanidade animal. O último foco da doença em Santa Catarina foi registrado em 1993 e a última vacinação foi em maio de 2000.

Foi um árduo trabalho até que Santa Catarina erradicasse a doença e conquistasse o reconhecimento internacional. Os esforços iniciaram em 1965, quando o Governo do Estado, Ministério da Agricultura, agroindústrias e produtores rurais se uniram para combater a febre aftosa no território catarinense. O Estado, que chegou a ter uma média de 462 focos por ano entre 1971 e 1983, erradicou a doença e em 1993 registrou a última ocorrência de febre aftosa.

“Trilhamos um longo caminho até chegarmos ao patamar que Santa Catarina alcançou. A conquista do certificado internacional foi fundamental para que o estado se tornasse o maior produtor nacional de suínos e o segundo maior produtor de aves, chegando aos mercados mais exigentes do mundo. A sanidade de nosso rebanho é o grande diferencial de Santa Catarina”, afirma o secretário de Estado da Agricultura e da Pesca, Moacir Sopelsa,

Erradicar a doença e buscar a certificação internacional foi uma estratégia para buscar mercados internacionais mais competitivos para a carne catarinense, além de garantir a segurança alimentar dos consumidores.

A febre aftosa é a enfermidade que mais causa prejuízo econômico a um país, especialmente pelas restrições aos mercados internacionais de animais e seus produtos. A partir da certificação como zona livre de febre aftosa sem vacinação, Santa Catarina teve acesso aos mercados mais competitivos do mundo e se tornou o maior exportador de carne suína do país. Só em 2016 foram embarcadas 274 mil toneladas de carne suína, com um faturamento de US$ 555,2 milhões.

“Com a parceria entre produtores, agroindústrias e Governo do Estado nós realizamos um trabalho de excelência que nos permite exportar para o Japão, Chile, China, Estados Unidos e Coreia do Sul. Santa Catarina tem o melhor status sanitário do país”, destaca a presidente do Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados no Estado de Santa Catarina (SIndicarne), Irani Pamplona Peters.

Manutenção do status sanitário

Para evitar a entrada do vírus da febre aftosa em Santa Catarina, o Governo do Estado e iniciativa privada realizam um controle sanitário eficiente através da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) e do Instituto Catarinense de Sanidade Agropecuária (Icasa), com a participação dos criadores e suas entidades representativas.

A Cidasc mantém 63 barreiras sanitárias fixas nas divisas com Paraná, Rio Grande do Sul e Argentina que controlam a entrada e a saída de animais e produtos agropecuários. Além do controle do trânsito de animais e produtos de origem animal nas fronteiras, em Santa Catarina todos os bovinos e bubalinos são identificados e rastreados.

Já que é proibido o uso de vacina contra febre aftosa em todo o território catarinense, não é permitida a entrada de bovinos provenientes de outros estados, onde a vacinação é obrigatória. Para que os produtores tragam ovinos, caprinos e suínos criados fora de Santa Catarina é necessário que os animais passem por quarentena tanto na origem quanto no destino e que façam testes para a febre aftosa, exceto quando destinados a abatedouros sob inspeção para abate imediato.

O Governo do Estado mantém ainda um sistema permanente de vigilância com o intuito de demonstrar a ausência do vírus de febre aftosa em Santa Catarina. Continuamente, a Cidasc realiza inspeções clínicas e estudos sorológicos nos rebanhos, além de dispor de uma estrutura de alerta para a investigação de qualquer suspeita que venha a ser notificada pelos produtores ou por qualquer cidadão.

Segundo o secretário adjunto Airton Spies, essa rigidez nas ações de prevenção deu condições para que o Estado abrisse mão da defesa vacinal. “A conquista e a manutenção do certificado da Organização Mundial de Saúde Animal provam que a sanidade é um patrimônio que distingue a produção catarinense no cenário nacional”, ressalta.

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